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Divórcio não é vingança – Artigo de Leandro Franciscus Zambrano

03 de novembro, 2019 às 21:04 - por Leandro Franciscus Zambrano

Não vou escrever sobre os problemas e sofrimentos que um casal enfrenta até tomar a decisão de partir para um divórcio. Esse texto serve também para o fim de uma união estável.
O maior “culpado” pela separação nos dias de hoje é o celular. Com ele, ficou muito mais fácil o flerte. E também a descoberta da traição, mesmo que muitas vezes apenas virtual.
Alguns casais concordam com o divórcio. O problema começa (se é que se pode dizer que seja um início) quando apenas um dos dois quer a separação.
Geralmente os problemas se resumem à guarda dos filhos, pensão, visitas e partilha dos bens. Ambos acreditam que estejam sendo injustiçados. Que o filho estaria melhor se estivesse consigo. Que o valor da pensão paga é muito alto. Que a pensão recebida é muito pequena e não vai cobrir as despesas do filho. Que os bens que ficaram para a outra parte valem mais…
O sentimento no homem e na mulher geralmente é diferente. Ela imagina que ficará desamparada. Sem condições dignas de cuidar dos menores. Não imagina perder a casa onde o casal residia nem a guarda da prole.
Ele, por sua vez, acha injusto pagar uma pensão alta. Normalmente diz que a ex vai viver com o dinheiro dele ao invés de gastar com o filho. Pensa que os dias de visita são muito poucos. Até pensa em lutar pela guarda. Acha que deve ser beneficiado na partilha pois saiu de casa com uma mão na frente e outra atrás.
A verdade é que o processo é longo e doloroso. Quando não caro…
A situação, mesmo com uma liminar que fixe a pensão provisória, fica nebulosa para ambos. A audiência inicial de conciliação normalmente leva dois meses para acontecer. Até lá são somente dúvidas e incertezas.
Ela acha que a pensão fixada é baixa e não quer entregar os filhos para visita.
Ele quer saber se a pensão vai diminuir. E se pode ver os filhos mais vezes. Diz que se ela engrossar vai brigar pela guarda. Ainda mais em tempos de guarda compartilhada….
A audiência inicial muito pouco resolve. Os dois saem frustrados. Mais um ano para a próxima audiência. Nada resolvido. E os bens devem ser avaliados para venda em leilão. Ambos perderão muito.
Enquanto os anos de indecisão e brigas na justiça continuam, os filhos crescem e são prejudicados.
Essa briga nunca acaba bem.
O advogado deve ser firme, mas não pode vender falsas ilusões. A questão acaba quase de forma matemática e com muitas cicatrizes.
Pense sempre na continuidade da vida. Lute por seus direitos. Mas não prejudique seu futuro.

Leandro Franciscus Zambrano é Advogado especialista em Direito empresarial e de família

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