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Escrito no front, livro retratou o lado desconhecido da batalha de Moscou

14 de março, 2021 às 10:30

Escrito no front, livro retratou o lado desconhecido da batalha de Moscou

A histórica batalha de Moscou foi transformada em um livro que poucos conhecem fora da Rússia, embora extremamente necessário, tanto pela qualidade literária, quanto pelo registro romanceado de fatos reais vividos pelo seu autor. No clássico russo Às Portas de Moscou, o escritor Alexandr Bek, ele próprio um soldado desde os 16 anos de idade, retratou com crueza os detalhes de um pelotão responsável por resguardar uma ponte para evitar o avanço do exército alemão contra Moscou.

Nascido em janeiro de 1903, filho de um oficial médico do então exército imperial, quando eclodiu a Revolução Russa em 1917 e o período de guerra civil entre bolcheviques e mencheviques, Bek logo se alistou nas fileiras vermelhas, tendo atuado como voluntário retratando as condições do embate entre os dois lados e os primeiros dias do governo de Lênin. A função do jovem soldado era escrever sobre o governo e o grande exército espalhando glórias e ajudando a criar toda uma mitologia em torno das formações militares da Rússia.

Com a Segunda Guerra Mundial e já tendo Stalin governando o império soviético, Bek se alistou novamente, retornando às fileiras russas na condição de voluntário em uma divisão de rifles da 3º Companhia, conhecida como a “Divisão dos Escritores”. Foi como correspondente de guerra e soldado que ele testemunhou – e registrou – a defesa de Moscou a partir de 1941, permanecendo a postos até a derrota das forças do eixo em 1945. Embora enaltecesse a coragem dos oficiais do Exército Vermelho, seu livro surpreende por abordar um lado não tão nobre da guerra.

batalha de moscou livro
Combatente russo durante a Segunda Guerra

No romance Às Portas de Moscou, também conhecido como A Estrada de Volokolamsk, um oficial do Uzbequistão está à frente de uma companhia de voluntários, uma força militar formada aos arremedos, com ferreiros, fazendeiros, agricultores e trabalhadores fabris com pouca ou nenhuma experiência em táticas militares ou o manejo de armas. As vacilações são tratadas de forma natural. Em uma guerra não existe a figura do herói antes do medo, não existe nada maior do que a vontade de sair vivo. Compreendendo esses fatores, o oficial em comando lidera sua tropa incentivando-os a sempre seguir em frente, pois recuar era impossível.

Atrás do exército uzbeque estava o temido exército vermelho com a missão de atirar contra os desertores e servir de última linha de defesa para Moscou caso caíssem as formações de agricultores. Em um dos momentos mais chocantes, e reais, da obra, o oficial se vê obrigado, ele próprio, a puxar a pistola e executar um sargento sob o seu comando para evitar uma demandada.

Os objetivos reais por trás do pelotão retratado no livro que fala da batalha de Moscou

O comandante de batalhão Baurdjan Momych-Uli deveria proteger oito quilômetros da estrada de Volokolamsk, em especial o trecho de uma ponte, com a finalidade de evitar que os alemães conseguissem ultrapassar com veículos e alimentos para suas tropas.

Os duros ensinamentos da guerra estariam presentes nas palavras de Uli “não é preciso morrer pela pátria, é preciso matar”. A Batalha de Moscou ocorreu entre outubro de 1941 e janeiro de 1942, em que os alemães tentaram avançar sobre posições soviéticas e tomar a capital russa. Como haviam sido alertados pelo britânico Richard Sorge, que espionava para a União Soviética de que a Alemanha pretendia atacar Moscou, os oficiais do Exército Vermelho tiveram tempo para se deslocar e fazer uma frente de defesa, só que antes foram enviados tropas dos povos periféricos, como os uzbeques e os bielorrussos.

As vitórias em Moscou e em Stalingrado ajudariam a derrotar as forças alemãs e a quebrar suas cadeias de abastecimento, fazendo com que padecessem em território inimigo, construindo condições para a vitória dos aliados. Os desertores foram tratados sem piedade pelo Exército Vermelho, a ordem era atirar em quem desse um passo atrás que fosse.

Gostou da história? Infelizmente o livro Às Portas de Moscou é uma raridade no Brasil, sendo possível você encontrar apenas em sebos e geralmente em péssimo estado – versões em espanhol e inglês são mais comuns. Mas separamos duas dicas para você de ótimos livros que contam os episódios do cerco à capital russa.

Redação do www.visaodovalesl.com.br/Fonte: brasildrummond.com.br

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