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A fé, o inexorável e a malvada da política

06 de fevereiro, 2017 às 14:18 - por João Eichbaum

Ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva – Crédito: Reprodução/Internet

Dona Marisa Letícia morreu. Contra as regras inexoráveis da natureza, não há dinheiro, nem fé, ou qualquer outra forma de superstição que salve da morte. A mulher do Lula foi levada para o hospital mais famoso do Brasil onde, exatamente por causa da fama, e só por causa da fama, que atrai dinheiro, acabam morrendo as pessoas mais ricas deste país.

Não bastando a cara imagem que vende o Sírio Libanês, o Lula ainda mandou importar do interior de Goiás um bruxo conhecido como João de Deus, a quem milhares de pessoas desabastecidas de instrução e de conhecimentos mínimos de ciência atribuem o poder de produzir milagres. João foi de Abadiânia, no interior de Goiás, para São Paulo, exclusivamente com a finalidade de “orar” pelo restabelecimento de dona Maria Letícia.

Os crentes afirmam que ninguém morre. Do cadáver, dizem, evola uma energia que o transforma em espírito. Mas, apesar de nunca ter tido prova da existência dessa energia, a maioria das pessoas vai levando a vida com seus solavancos, dores, desenganos, sofrimentos, perdas, paixões e desamores, esperando, com orações, pelo fim que não será o fim. E, para tornar mais forte essa esperança, procuram meios físicos aos quais creditam o poder de ligá-las ao mundo criado por suas fantasias.

Alguns desses instrumentos de comunicação com o além são o papa, Maomé e outros pretensos representantes de alguma divindade, como “médiuns” e “pais de santo”, a quem se atribuem poderes de encarnar almas do outro mundo. Essas, por sua vez, são dotadas de qualidades que as do lado de cá não têm: curam doenças, servem de mensageiras de recados de outros falecidos, transformados em espírito pela morte.

Ora, ora. Esse João de Deus teve câncer, mas não curou a si próprio, nem procurou outros colegas do além: submeteu-se à cirurgia e à quimioterapia, como qualquer um (será que ele paga IRPF?) que tenha CPF. Claro, não foi tratado como vivente comum. Com a grana que tem, ele foi incluído entre aqueles do andar de cima: no famoso hospital Sírio Libanês de São Paulo. Ou seja, usou o dinheiro dos crentes e dos supersticiosos, para se curar pela ciência.

João de Deus não curou a si mesmo, como não curou dona Marisa e jamais vai curar alguém. Mas, nem por isso, a fé, esse eufemismo que disfarça a superstição, impedirá que multidões continuem formando filas na frente da casa dele. Os crentes sempre acreditarão em bruxos, porque o medo da morte coloca a superstição e a ignorância acima da razão.

Agora o Instituto Lula, a partir do momento em que o Luiz Inácio, ainda no velório da mulher, afinou o discurso político pelo diapasão das malquerenças que geram mártires, certamente trocará o João de Deus pela CNBB, onde tem vários bispos companheiros. Com eles vai tratar da canonização de dona Marisa.

 

 

 

 

 

Autor

João Eichbaum

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