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JUSTIÇA FEITA COM COLA – Crônica de João Eichbaum

25 de novembro, 2019 às 09:21 - por João Eichbaum

 O Luiz Inácio Lula da Silva deve andar rindo, tanto sozinho como bem acompanhado. Graças aos favores, papagaiadas e mancadas da Justiça, ele está livre e solto para viver no paraíso de mel com seu novo amor, um desses que já nascem eternos, com prazo de validade além da primeira briga.

Essa história começou a ser escrita pelo juiz Sérgio Moro, com a pena de prisão imposta ao Lula, que foi aumentada pelo TRF4. E o tribunal ainda mandou trancafiar o dito na cadeia, aplicando a súmula 122: “encerrada a jurisdição criminal de segundo grau, deve ter início a execução da pena, independentemente da eventual interposição de recurso especial ou extraordinário”.

 Pronto. Estava montado o cenário para que Lula desempenhasse o papel de mártir, sofrendo danos e malquerenças: cadeia em segunda instância. Pior ainda, quando entrou em cena a juíza Lebbos: botou ordem nas visitas ao condenado, proibiu-lhe entrevistas e quis transferí-lo para outra penitenciária. Mas o Toffoli, mostrando quem é que mandava, veio em socorro do mártir. E a novela então tomou outro rumo: surgiu a nova namorada do Lula, uma que nunca lhe tinha acompanhado em voos oficiais, nem privado da suíte presidencial.

No terceiro ato da pantomima judiciária, apareceu outra mulher na vida do Lula: a juíza Gabriela Hardt. Matreiro, servido em manhas e artimanhas, mal tinha estabelecido seu traseiro na cadeira dos réus, ele quis ficar à vontade, como se estivesse bravateando em grupo de sindicato. Mas a juíza Gabriela, com jeito de quem sabe lidar com dente de cobra, não quis emprestar seu ouvido de doutora para bazófias: “se continuar a falar comigo desse jeito, vamos ter problemas”. E deu problema mesmo. No final daquela peça, Lula, remetido a artigos de corrupção e delitos ribeirinhos, acabou condenado pela juíza.

Foi o que bastou para que a magistrada assumisse o pódio até então reservado para o Sérgio Moro. Taluda, e bem sortida em curvas e demais partes da sua natureza, a juíza leva vantagem de não ter a cara da Gretchen. Com essa belezura toda estampada na companhia de manchetes, a doutora Gabriela Hardt passou a ser festejada por todas as torcidas organizadas do magistrado transformado em ministro.

Mas, o Supremo botou fim na prisão de segunda instância. E há poucos dias noticiou a imprensa que o método usado pela magistrada foi o do “Ctrl+c, seguido de Ctrl+v”. Ou seja, o famigerado “copia e cola”. Tira daqui e bota ali. Excertos de outros processos teriam sido extraídos e usados na sentença. Uma coisa banal, que só ignora quem não sabe como funciona a Justiça. Mas, aplicar logo contra o Lula? Ah, não, aí já é demais…Agora, graças à nulidade da sentença, Lula está prestes a desembaraçar um final feliz, com amor novo.

Quando contarem histórias folclóricas da Justiça, das quais fazem parte madrastas e princesas, e onde tem também uma Cinderela que amava um prisioneiro, de agora em diante poderão as vovós começar assim: “era uma vez uma juíza que copiava e colava…”

 

Autor

João Eichbaum

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