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LAVA JATO X LAVA TOGA – Crônica de João Eichbaum

20 de setembro, 2019 às 20:11 - por João Eichbaum

Depois daquele futebol miúdo que deu em 7×1 para o time da Alemanha,  chegou a vez do Peru se servir. Então já que tirar glória desse negócio de requebrar o organismo atrás duma bola está meio em desuso, o povo agora se volta para outro campo.  Nesse, a bola é chamada democracia e todo mundo quer ser dono dela, para mandar no jogo, no juiz, fazendo golo com a mão e de impedimento.

A coisa é mais complicada que suruba de minhoca. Quem é acusado de falcatruas e vai preso, diz que a bola, isso é, a democracia, está murcha e jogo jogado com bola murcha não tem valor. Tem que ser anulado, jogado de novo, se der empate tem prorrogação, e se continua empatado vamos para os para os pênaltis.

Aí vem o juiz e manda soltar o preso. Pronto: a mãe dele cai na boca do povo como uma dessas que qualquer um bota em estado de nove meses. Mas, o juiz não ta nem aí, empina o nariz e o umbigo, olha com jeito de deboche pra torcida, como quem não tem mãe, anula o jogo, bota a bola no centro e começa tudo de novo.

Quem não é preso, não vive de expedientes, não tem a língua enrolada e está na torcida xingando o juiz, diz que a bola sempre esteve cheia, não é caso de ser anulado o jogo porque, na verdade, quem não joga nada é o time das falcatruas, que não está acostumado a jogar com bola redondinha, rechonchuda, apanha dela e põe a culpa no adversário.

Claro, quem está preso também xinga a mãe do juiz, se o jogo não for anulado, se não houver prorrogação, nem pênaltis. E a torcida acompanha no xingamento, grita, esbraveja, bufa e clama por uma bola moldável, quer dizer uma que se ajeite no pé, sem precisar de técnica, nem esforço.

O time que prende leva o nome de Lava Jato. Pegou a lei 12.850, de 2 de agosto de 2013, cruzada com o Decreto-Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1940 e fez malha de jurisprudência, botando gente metida a boa a purgar no xilindró. Sua imensa torcida conseguiu eleger o presidente da Federação. Aí houve gente que não gostou e começou a insuflar a torcida contra o time Lava Jato.

Foi fundado então um time contrário, o CPI, para derrotar o Lava Jato. É um time que tem torcida mais organizada, porque se manteve na liderança durante mais de uma década e aproveitou a oportunidade para compor um quadro de juízes e bandeirinhas de sua confiança.

O Lava Jato também, para reforçar o time, resolveu criar um departamento chamado CPI da Lava Toga. Embora não tenha jogadores muito experientes, nem muito jogo de cintura, malandragem de vender a mãe sem entregar, o CPI da Lava Toga, se não perder por WO, quer mostrar que, muito pior do que levar 7×1, é esconder a bola debaixo da toga, sem mostrar futebol de jogo limpo.

 

Autor

João Eichbaum

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