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MULHERES – Crônica de João Eichbaum

23 de março, 2021 às 12:40 - por João Eichbaum

O doutor Waldemar De Gregori, reconhecido filósofo e respeitável autoridade em sociologia, escreveu, no dia dedicado à mulher, homenageando-as: “Hoje é mais um dia de agradecer às mulheres. Também, de refletir sobre seu papel social, como fizeram e fazem as exemplares mães judias, principalmente a mãe de Moisés e a mãe de Jesus Cristo. Elas tinham um projeto social e programaram seus filhos para ele. O mesmo fez Khadija, a tutora e, depois, esposa de Maomé. “Cada país tem a cara das mães que tem”!

Essa concepção, que contempla a mãe de J.Cristo com visão social, atucica a quem, sobre mulheres, tem repertório só de rimas e odes, como no samba de Martinho da Vila: “já tive mulheres”…  Mas o texto das Bodas de Caná, em João 2:1-11, mostra como se encaixa perfeitamente no tema a interpretação do doutor Waldemar.

Como se sabe, Jesus Cristo não se misturava com rico. Para ele, era mais fácil passar camelo por buraco de agulha, do que rico entrar no céu. Era uma festa de casamento de pobre, portanto, aquela narrada por João. Tanto era de pobre o casório que, lá pelas tantas, faltou vinho. E se faltou vinho é porque também faltava grana. Então a mãe de J. Cristo se antenou.

Numa hora dessas, só as mulheres se antenam. Barbado não tá nem aí, quem deu festa que se vire.  Mas, ela puxou o Cristo pela túnica, levando-o para um canto e falando à meia boca: “meu filho, eles não têm mais vinho”. Ele até quis encrespar: “mulher, minha hora ainda não chegou”.

Quem não é teólogo, pode até a pensar: hum, ele já tava meio altinho… Mas, a mãe dele deu de ombros, e o resto todo mundo sabe: ele fez vinho de água. Quem não vê aí um gesto social de Maria, só pode ser alcoólico anônimo, porque quem é bêbado conhecido, aplaude de pé.

Autor

João Eichbaum

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