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O LUGAR DO NEGRO – Artigo de Vanessa Saraiva

07 de janeiro, 2021 às 17:44 - por Vanessa Saraiva

A expressão “mimimi” é mais que a desvalorização da dor do outro, é maior que a falta de empatia, “mimimi” é uma contestação do local político em que estão insertos os indivíduos que fazem uma crítica à ordem estabelecida, à denúncia da cultura vigente, aos que tentam superar o contexto da opressão estrutural.

Quando um negro denuncia o racismo no hino riograndense, quando uma mulher se manifesta contra o machismo, quando uma pessoa LGBTQ+ protesta contra o preconceito e a discriminação, o que se faz é mais do que invalidar e deslegitimar o que e por que essa pessoa critica, o que se faz é coloca-la no seu lugar, devolver ao local de origem, que é a subalternidade, a posição de submissão à branquitude, ao patriarcado, à cis-heternormatividade.

Toda vez que alguém fala “mimimi” o que se está fazendo na verdade é silenciar o debate, censurar a crítica, interditar sujeitos que estão em busca de amplificar da sua voz, da sua vivência, da sua realidade, de compartilhar suas dores para ampliar o horizonte empático das pessoas.

Observem os que chamam a dor e a crítica alheia de “mimimi” ou algo do tipo, vejam aos interesses de quem eles defendem. Mesmo que conflitantes com seus interesses de classe – porque muitos são pobres sem consciência de classe -, esse pensamento fruto da colonialidade está enraizado na nossa sociedade.

Aguentem o “mimimi”. Estamos penetrando nos espaços de poder, estamos destituindo a hegemonia da branquitude, somos a resposta das políticas públicas inclusivas que foram suspensas a partir do golpe de 2016, mas que retornará e colocará de novo nossas pautas na mesa e nos espaços de poder e decisão.
[16:44, 07/01/2021] Vanessa 2: Uma reflexão sobre o hino riograndense e o “lugar do Negro” quando denuncia o racismo.

Vanessa Saraiva é Bacharel em Serviço social

 

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