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OFICIAL DE JUSTIÇA SUBIU AOS CÉUS – Crônica de João Eichbaum

25 de janeiro, 2021 às 09:17 - por João Eichbaum

“Justiça manda Espírito Santo garantir a mulher de 37 anos reprodução assistida”. Essa foi a chamada que o jornal Estado de São Paulo fez, em sua edição de sexta-feira passada, para matéria assinada por Samuel Costa e publicada no blog de Fausto Macedo.

Então, vamos debulhar a matéria a partir desse título. O Espírito do Santo, se não está no céu, certamente está em lugar incerto e não sabido. Não é de seu costume aparecer a qualquer hora, em qualquer lugar do mundo. E, quando aparece, vem vestido de pomba ou disfarçado em pequenas chamas de fogo. O caso que aconteceu com a mãe de Jesus Cristo nunca foi contado em detalhes pelos exegetas da bíblia. É um acontecimento meio nebuloso. Uma coisa, porém, é certa: a reprodução não foi assistida por ninguém.

Para encontrá-lo, então, outra coisa não restaria ao oficial de Justiça, senão subir ao céu, como fez Jesus Cristo. Lá, pelo que se conta, é o domicílio do Espírito Santo, onde ele fica sentado à mão esquerda de Javé. Mas, como teria o oficial de Justiça subido ao céu? De corpo e alma?

Sim, senhores, a chamada do jornal Estado de São Paulo é de dar nó em pingo d´agua, de fundir a cuca, porque é impossível imaginar como teria feito o oficial de Justiça para subir ao céu, afim de cumprir o mandado, em cujo verso ler-se-ia: “certifico e dou fé que compareci perante o trono do Altíssimo e lá, no lado esquerdo, intimei o Espírito Santo para garantir que sua próxima reprodução seja assistida”.

Mas a dúvida não fica só nisso. Todo mundo sabe como se reproduz um ser humano. Claro, é do mesmo jeito que qualquer outro animal vertebrado: aquele brinquedinho de pega-pega que fazem óvulos e espermatozoides, e quem chegar primeiro, leva. Só tem um porém: mandam a moral e os bons costumes que tudo seja feito longe das crianças, bem escondidinho, se possível até evitando gemidos e uiuiuius… Um papai e mamãe que comece com suspiros e termine em suor, mas sem aquela impudicícia dos bodes malvados, que pegam ovelhinhas distraídas.

Ora, ora, reprodução assistida… Quem assistirá? Vai acontecer onde? Nas arenas vazias  feitas para a copa dos 7 x 1? Vai passar no Jornal Nacional, no programa do Faustão? Onde?

Não, senhores. Essa não é uma crônica sacrílega. Sacrílegos são os meios de comunicação, principalmente a imprensa escrita, que não escolhe seus redatores entre pessoas que saibam escrever. Sacrílegos são os governos que pospõem a intelectualidade, o ensino do idioma e das ciências, a artifícios facciosos que chamam de educação. Esses são os verdadeiros sacrílegos, que de analfabetos funcionais fazem doutores, porque criam universidades “para todos”, sem ensino fundamental para ninguém.

Só quem não sabe escrever, é incapaz de sintetizar uma ideia, um acontecimento, uma notícia. Só quem não sabe escrever, redige absurdos, como essa chamada do Estadão, que põe o jornal na galeria do ridículo. Burros na frente do espelho nunca enxergam um asno.

 

 

Autor

João Eichbaum

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