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Só vira santo quem morre

25 de janeiro, 2017 às 09:54

Crédito: Reprodução/Internet

Teori Zawaski merece respeito. Não por ter sido ministro do STF, nem por ter morrido. Merece respeito por ter sido uma criatura humana como todas as outras, cujos defeitos não justificam agressões “post mortem”. Merece respeito também a dor dos familiares e dos amigos que o perderam.

Mas daí a tê-lo por herói, como o considera Sérgio Moro, ou “exemplo a ser seguido” como indicou Michel Temer, ou a consagrá-lo como um  juiz que engrandeceu o Supremo Tribunal Federal, assim proclamado por Carmen Lúcia, é muito exagero.

Sendo ministro do Supremo, Teori Zawaski foi sorteado como relator da operação denominada Lava Jato e não lhe restava alternativa senão aceitar a missão, porque, afinal, era pago, e muito bem pago, para isso. O juiz, como qualquer funcionário público, tem deveres a cumprir e deles não tem o direito de abrir mão, salvo nas hipóteses previstas em lei. Não se pode banalizar o heroísmo a ponto de considerá-lo  sinônimo de rotina de trabalho.

Considerá-lo “exemplo a ser seguido” implica desdém por inúmeros bacharéis ou doutores que, por esse Brasil afora, têm as mesmas ou melhores condições do que ele, para exercer as funções de ministro do Supremo Tribunal Federal. Ele não foi, nem será, no curso da história judiciária deste país, o exemplar único, cujo modelo se perdeu e do qual não se pode extrair cópias.

Sua atuação não engrandeceu o STF. Apenas confirmou que homens, de toga ou sem toga, com sunga ou sem sunga, todos são iguais. Ele pode ter sido melhor do que alguns, mas não foi o melhor de todos. Pelo contrário.

Teori transpôs os limites da lei, atropelando normas primárias de processo penal, quando mandou prender o senador Delcídio Amaral. Não respeitou o princípio constitucional da harmonia dos poderes, quando destituiu e mandou prender o deputado Eduardo Cunha. E foi contraditório, respeitando o mesmo princípio, para anular prisões de seguranças do Senado, atendendo a pedidos de Renan Calheiros.

Sem os exageros de Temer, Sérgio Moro e Carmen Lúcia, quem resumiu, numa frase sensata, o que uma pessoa com equilíbrio emocional, verdadeiramente sofre numa hora dessas, foi o filho de Carlos Alberto Filgueiras, o anfitrião da morte de Teori Zawaski. Gustavo Filgueiras disse apenas isso sobre o fato: “É uma tragédia, perdemos nosso pai e essa é a dor”.

É uma verdade simples, proclamada sem alarde, sem a teatralização, sem a pantomima oficial que o Estado encena – e nós pagamos – para entregar corpos aos vermes ou transformá-los em cinza.

Autor

João Eichbaum

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