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Violência sem limites: homem mata três pessoas, atira contra o pai e morre em confronto com a BM no interior do estado

04 de novembro, 2019 às 16:19 - por Redação do www.visadovalesl.com.br

Foto: Cristiano Duarte

Sério: Sem dizer uma palavra, depois de estacionar sua moto recém-comprada, Vanderlei Matthes (32) adentrou a associação da comunidade União Arroio Abelha, no interior de Sério, e efetuou diversos disparos com uma pistola 380 em cinco homens que estavam dentro do bar jogando canastra.  Uma das vítimas, era o pai do atirador, Valdemiro Matthes (60). Ele foi socorrido e, por volta das 23h desse domingo, seu estado de saúde era gravíssimo. Odacir Ferri (34), Imério Ferri (64) e Odair César Verruck (por volta de 60 anos) morreram no local. Apenas o produtor Alécio José Ferri (62) sobreviveu ao ataque com poucos ferimentos.  “Pensei que era um atirador. Devo ter ouvido mais de 40 tiros. Ele chegou e não falou nada. Fui o primeiro baleado. Caí embaixo da mesa e coloquei a mão no rosto para me proteger. Um tiro passou embaixo de minha barriga”, conta Alécio.

Duas cervejas

Depois de cometer o atentado, o proprietário do bar suplicou para que Vanderlei lhe poupasse a vida. “O atirador disse que, então, não mataria o dono do bar. Mas lhe pediu um favor. Mandou que ele saísse correndo e ligasse para o 190, pois queria ainda matar um policial. Chegou a dizer ‘hoje vou levar um brigadiano comigo'”, conta o delegado Antônio Cavalheiro.  Enquanto aguardava a chegada da Brigada Militar, Vanderlei bebeu duas garrafas de cerveja de 600 ml e repousou o cascos da bebida em cima de um veículo Gol branco quando avistou a viatura chegando no bar. Escondido dentro de uma obra que viria a ser um novo banheiro da associação dos moradores de União Arroio Abelha, Vanderlei utilizou o local como uma espécie de bunker para ter onde se proteger enquanto recebia a Brigada Militar a tiros.  “Ele chegou a gastar um cartucho inteiro contra os policiais. Um brigadiano teve de utilizar um fuzil para defender-se e acabou matando o atirador. Em 15 anos de Polícia Civil nunca vi nada parecido com isso. Pelo ocorrido, um perfil de suicida. Veio para fazer isso”, explica Cavalheiro. Vanderlei não tinha antecedentes criminais. Fizera 32 anos no fim do mês de outubro. Relatos de moradores apontam que ele teria comprado uma moto e a arma recentemente. “Ele era usuário de drogas”, diz um morador que prefere não ser identificado.

Alvoroço 

O Samu foi acionado pouco depois da Brigada Militar ser comunicada pelo dono do bar sobre a tragédia em União Arroio Abelha. A enfermeira Maria Favaretto (47) chegou com a ambulância no local para atender os feridos quando a troca de tiros entre Vanderlei e os policiais ainda aconteciam.  “A gente teve que parar a ambulância e esperar os tiros cessarem. Trabalho há 14 anos como enfermeira e nunca havia passado por uma situação assim”, lamenta Maria.  Assim que entrou na associação, a enfermeira viu os corpos estirados no chão e os feridos agonizando por ajuda. “Uma imagem muito forte. Muito triste mesmo”, desabafa.

Morada da lamúria

Os familiares dos mortos Imério Ferri (pai) e Odair Ferri (filho) iam chegando aos poucos na residência, em Arroio Abelha. Entre a triste e a incredulidade sobre o ocorrido, restaram as lágrimas e o pranto da irmã Neide Schuster (44).  “Meu paizinho e meu irmão querido. Como pode uma coisa dessas? Todo mundo se dá bem na comunidade. Somos todos amigos, conhecia esse menino que matou eles. Nunca imaginamos uma coisa dessas acontecendo na nossa comunidade que é tão tranquila”, lamenta Neide.  Sua família relata que há poucos anos atrás, uma mulher havia sido estuprada num matagal da comunidade. Quando conseguiu libertar-se do algoz, essa vítima teria fugido e procurado a casa de Imério e Odair em busca de socorro.  “Essa mulher disse que a única pessoa que ela tinha visto havia sido esse atirador, o Vanderlei. Na comunidade ele era conhecido como Tita. A gente, na época, acabou não procurando a polícia. Não tínhamos certeza de que era ele. Agora acontece uma coisa dessas. Se tivéssemos falado com a polícia naquela época, talvez já tinham pegado ele (Vanderlei)”, afirma Neide.  Segundo a irmã e filha dos mortos, seu marido também costuma ir naquela bar para jogar canastra com os amigos. “Por sorte, ele acabou não indo”.

Penúria

Com a pouca luz e quase sem comunicação por internet ou telefone, o boca a boca pela comunidade fez com que dezenas de moradores se aglomerassem na associação. Na penúria, por volta das 21, quando os corpos foram retirados do bar, amigos e familiares aproveitavam para dar o adeus as vítimas.  “Todo mundo se conhece nessa comunidade. Assim que Vanderlei deu os primeiros tiros minha nora veio me avisar e eu vim correndo para cá. É uma tragédia. O atirador morava com o pai perto do bar. Ele não era muito de vir aqui. Inacreditável uma coisa dessas”, conta o vereador Mario Antônio (55).  Um outro homem que estava no bar conseguiu escapar do tiroteio se jogando num estrada vicinal e acabou sofrendo escoriações, tendo que ser levado ao hospital.

A comunidade

Situada a 10 quilômetros do centro da cidade e acessada por estrada não pavimentada, a pacata Arroio Abelha conta com cerca de 30 moradores. A maioria são agricultores que se dedicam a produção primária como a produção de frangos. Da movimentada sede esportiva onde ocorriam jogos de futebol aos domingos à tarde, resta o salão de baile atualmente utilizado para o carteado do final de semana entre os moradores e onde ocorreram os assassinatos de ontem à tarde.

Redação do www.visaodovalesl.com.br/ Fonte: https://www.informativo.com.br/

Autor

Bado Jacoby

bado@visaodovalesl.com.br

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